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Abraços e vacinas – a cura que precisamos

Vamos chegando ao final daquele que pode ter sido o ano mais difícil dos últimos cem anos para os habitantes dessa bola azul chamada Terra. Em 2020, nos foram apresentadas dificuldades econômicas, políticas, sociais (com racismo, homofobia e feminicídio matando como nunca) e, como se nada disso fosse suficientemente ruim, ainda fomos surpreendidos pela maior crise sanitária que as gerações atuais conheceram, com precedentes apenas na Gripe Espanhola de 1918.

De modo completamente inusitado, atividades de inquestionável importância como a vivência diária e a troca de experiências de alunos em sala de aula foram, drasticamente suprimidas, restando os enfadonhos encontros virtuais, com panes técnicas, câmeras fechadas e professores, muitas vezes, falando para uma plateia completamente esvaziada, sem qualquer tipo de feedback.

Se a socialização na escola foi substituída pelos encontros mediados pela tela, a vida social foi temporariamente suspensa, e viramos zumbis, dentro de nossas próprias casas, longe de conhecidos, amigos e familiares. Todas essas medidas, definidas por protocolos internacionais de segurança epidemiológica tiveram um custo, um alto custo…

De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), houve um agravamento das doenças psiquiátricas durante a pandemia de Covid-19. Dentre os fatores relatados, esse agravamento se deu em razão do distanciamento social em si e, também, pela situação de medo, insegurança e ameaça constante na qual a sociedade global se viu inserida, tendo de adotar novos hábitos, não por crenças ou modismos, mas por defesa à vida. Assim, aprendemos a usar máscaras, a observar com mais cautela a higiene das mãos; habituamo-nos com o uso de álcool gel e a higienizar as compras de supermercado. Vimo-nos obrigados a trocar o beijo da chegada naqueles que amamos por “Vou tomar um banho e já volto pra te dar um beijo”. E assim, temos navegado por mares bravios desde março.

Agora, com a chegada do espírito natalino e o frescor de renovação que o novo ano nos oferece, vem também a notícia de que em breve teremos vacina no Brasil – essa, sem dúvida, é a boa nova do ano! O excelente resultado conseguido por pesquisadores de todo o mundo é o que nos permitirá a, minimamente, retomar as nossas vidas com menos medo – mas ainda com cautela. A vacina nos permitirá voltar a frequentar lugares esquecidos, que tenham sobrevivido aos meses de portas fechadas; nos permitirá celebrar em eventos restritos a volta do setor de eventos; nos permitirá viajar de avião sem o pavor de ser contaminado ao passar algumas horas fechado em uma cápsula com dezenas de desconhecidos. Mas, nada disso se compara ao fato de que a vacina nos permitirá voltar a abraçar as pessoas que amamos, sentindo o calor e, em uma respiração profunda, sentir os corações baterem no mesmo compasso!

Que o novo ano nos traga muitas possibilidades para sorrir, e amar, e estar próximos daqueles que tornam nossas vidas melhores. Um Feliz 2021 a todos.

Texto: João Paulo Vani / Presidente da Academia Brasileira de Escritores. Mestre e Doutor em Teoria Literária.

Fonte: Notícias do Bem

Abraços e vacinas – a cura que precisamos - Prof. Dr. João Paulo Vani